Você é uma pessoa multitarefa?

Você se considera uma pessoa multitarefa? Não consegue realizar uma ação sem ao mesmo tempo desenvolver outra ou outras?

Enfim, é daquele tipo que adota o estilo tudo junto e misturado, em que divide a atenção com a televisão ligada, com o telefone que toca, com o computador repleto de programas abertos, com os alertas do comunicador MSN, com a vontade desenfreada de dar uma atualizadinha na conta do Twitter, do Facebook?

Na sociedade moderna, caracterizada pelo excesso de conteúdos e pelo ritmo acelerado nas formas como nos comunicamos, somos cada vez mais estimulados a desenvolver esta maneira de agir. Será que é bom?

A ideia para escrever este artigo veio justamente de uma necessidade pessoal, pois passei a me sentir cada vez mais refém desta atual situação, a qual exige de todos que sejamos tudo em um só. Comecei a me perguntar o porquê que necessariamente precisamos realizar tantas ações de forma simultânea. Para que tanta pressa? É bom para quem, afinal? Para mim, de forma bastante sincera, não o é.


E nesses devaneios sobre o tema, acabei por saber que pesquisas mostram que realmente o melhor é fazer uma coisa de cada vez, sem nos levarmos por este modismo do quem é bom faz tudo ao mesmo tempo. É fato. Não conseguimos trabalhar bem com tantos dados e informações de moda simultânea.

Há, inclusive, uma corrente de estudos que defende a ideia de que o nosso cérebro realiza adequadamente apenas uma atividade cognitiva (que envolve pensamento e raciocínio) de cada vez. Desta forma, por exemplo, ouvir música não atrapalha a produtividade, pois não dependemos de um exercício reflexivo para entendê-la, de um foco mais específico.

Em busca de dados para argumentar melhor meu ponto de vista, descobri que uma pesquisa ainda inédita promovida pelo especialista em gestão do tempo Christian Barbosa, CEO da consultoria Triad OS, vem mostrando que o desperdício médio de tempo ao realizar atividades simultâneas é de 35%. Resumindo: ao invés de ganhar tempo sendo multitarefa, você perde. Isso mesmo. O estudo já conta com respostas de cerca de dois mil participantes.

Quem mais se encaixa neste perfil de polivalência são os mais jovens, aqueles que integram a chamada geração Y. São pessoas nascidas na era da internet, período este que deu o grande início para o processo de aceleração na forma como realizamos nossas iniciativas.

Reparou como atualmente crianças e adolescentes são pouco pacientes? São tomadas pelo tédio quando não conseguem desenvolver iniciativas de forma misturada: querem mexer no celular, jogar videogame, ver TV, estudar, ler livros, tirar fotos... tudo ao mesmo tempo. Tem tanta pressa, mas nem entendem o porquê. Apenas são levadas pela necessidade da correria, do descer a ladeira sem freios.

Na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, um estudo para identificar o grau de multitarefa das pessoas revelou que muitas que disseram fazer ações simultâneas tiveram desempenho pior nos testes cognitivos e de memória quando comparadas às que se diziam monotarefa.

Os resultados ainda apontaram que quem leva a multitarefa ao extremo tem mais dificuldade para filtrar estímulos irrelevantes do ambiente, é menos propenso a deixar de lado as memórias recentes sem importância e não consegue controlar bem a alternância de atividades.

Enfim, a pressão cultural que sofremos hoje para trabalhar ou agir por impulso, sem organização, planejamento e, sobretudo, calma, é incrivelmente grande. Sinais destes novos tempos, em que devemos refletir bem sobre o ditado “Quem faz tudo, não faz nada!”.

Sendo assim, será que não se torna interessante então ser monotarefa, realizar uma ação de cada vez e, principalmente e o mais importante, fazê-la bem feita? Eu acredito que sim. E você? Pense nisso.

Ei, é impressão minha ou você está lendo este artigo dividindo a atenção com outra tarefa?

0 comentários:

Postar um comentário

 
Copyright © Web e um pouco mais